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sábado, 7 de dezembro de 2013

RELEMBRAR, REFLETIR E RECRIAR A ESCOLA DOMINICAL

Relembrar, Refletir e Recriar a Escola Dominical (3)



Credito: ipbcm.com.br


Nesta postagem, faremos um cotejamento entre a EBD e os chamados "pequenos grupos" para mostrar que ela cumpre também finalidades semelhantes, com prioridade ao ensino bíblico.


A Escola Dominical Relevante – Recriando a sua Dinâmica Estratégica






Para que possamos bem avaliar a relevância da Escola Dominical para os dias de hoje, é bom estabelecer inicialmente um paralelo entre ela e os chamados “pequenos grupos”, já que o uso destes, em processo de substituição, tem sido um dos argumentos para desprezá-la. Aos fatos:

1) Tanto quanto os “pequenos grupos”, a Escola Dominical se baseia na mesma perspectiva, pois segundo os pedagogos da área uma classe não pode ter mais do que 25 alunos. Dizer que não se trata de um grupo pequeno é negar a própria evidência.

2) Tanto quanto os “pequenos grupos”, que recebem uma mesma mensagem a cada semana, compartilhada pelo pastor aos líderes, a Escola Dominical estuda uma mesma lição a cada semana, geralmente compartilhada aos sábados com todos os professores. Ou seja, a mesma metodologia, com uma diferença básica: para as igrejas que adotam um currículo como o da CPAD, a lição é a mesma para todo o Brasil. Todavia, mesmo que o currículo seja local ou de outras editoras, o ensino é o mesmo para toda a igreja.

3) Tanto quanto os “pequenos grupos”,  que, ao chegarem a um determinado número de participantes deve gerar um novo grupo, igualmente ocorre com uma classe que alcançou o número estipulado: ou seja, ela gera também uma nova classe pelo mesmo processo de multiplicação.

4) Tanto quanto os “pequenos grupos”, nos quais se investe com a ideia de envolver todos os membros, a Escola Dominical tem o mesmo potencial de alcançar toda a Igreja, desde que se invista nela como a prioridade estratégica para o ensino e a formação do crente, bem como para o crescimento do povo de Deus.

5) Tanto quanto os “pequenos grupos”, onde as pessoas oram e estudam a Palavra de Deus juntas, A Escola Dominical cumpre com a eficácia a mesma finalidade: os alunos se reúnem todos os domingos, oram e estudam a Palavra de Deus juntos praticamente usando o mesmo período de tempo empregado pelos “pequenos grupos”.

6) Tanto quanto os “pequenos grupos”, que prestam relatório semanal de suas atividades à coordenação-geral, as classes da Escola Dominical também prestam relatórios circunstanciados, a cada domingo, para que se acompanhe sempre o seu desenvolvimento.

Já deu para perceber, por esses arrazoados, que a perspectiva não é diferente. Os “pequenos grupos”, não obstante o papel que possam desempenhar, desde que submetidos ao crivo das Escrituras, não são a descoberta da pólvora e nem a Escola Dominical é ultrapassada como alguns erradamente supõem. Agregá-los à Igreja, depois de medidos os prós e os contras, é uma coisa. Substituir a Escola Dominical por eles é um erro crasso e uma atitude desvantajosa pelas seguintes razões:

1) As classes da Escola Dominical são organizadas por faixas etárias de maneira que desde o berço ate a terceira idade todos têm um lugar específico para estarem e se sentirem no seu próprio ambiente. Os “grupos pequenos” já não são assim: eles geralmente agregam pessoas de idades diferentes no mesmo ambiente, enquanto as crianças... bem, essas ficam em segundo plano, diferentemente da Escola Dominical.

2) O ensino na Escola Dominical é dosado, de acordo com cada faixa etária, seu estágio de conhecimento e suas necessidades específicas, enquanto nos “grupos pequenos” esse critério fica prejudicado já que o ensino é um só para todos os grupos, sem levar em conta as diferenças entre as faixas etárias.

3) Na Escola Dominical, se a criança é matriculada desde recém-nascida na classe de berçário  e passa por todas as faixas etárias até chegar à fase adulta, ela terá freqüentado um curso teológico completo e dosado, à medida que foi alcançando novos graus no seu desenvolvimento, enquanto que nos “grupos pequenos” isso jamais acontecerá.

Vejo, portanto, que a Escola Dominical atende à perspectiva dos “pequenos grupos” numa proporção muito mais vantajosa para a Igreja. Ela continua, deste modo, plena de atualidade, relevância  e significado para a era pós-moderna, onde o relativismo tomou conta de tudo, os conceitos não são bem definidos e cada um faz o que bem entende. A Escola Dominical é esse marco em defesa da fé cristã, que proporciona raízes sólidas àqueles que a frequentam e supre sem nenhuma dúvida a necessidade da Igreja na fomentação do ensino. Na última postagem, acrescento outras sugestões com o propósito de torná uma agência de ensino de excelência.
Crédito: mocidadecanticoseternos.blogspot.com.br


Vejamos, de maneira detida, nesta postagem, alguns pontos que têm sido fatores de desestímulo para uma boa e eficiente Escola Dominical:

1) A ideia de que a Escola Dominical é como um culto de celebração, segundo os padrões tradicionais, onde as pessoas participam mais pensando em serem tocadas nas emoções do que na razão. Muitas igrejas há que incutem essa ideia na mente dos crentes de maneira que o resultado final é zero porque as pessoas esperavam algum tipo de manifestação emotiva, e não de exercício mental.

2) A reunião das classes dentro dos templos, em que os professores disputam entre si para ver quem fala mais alto, sem que disponham de espaço físico para uma boa aula e conseqüente aproveitamento dos alunos. Estes acabam desmotivados, deixam de freqüentar a Escola Dominical e ela fica esvaziada.

3) A falta de preparo dos professores, que ficam estagnados no tempo, não se atualizam, nem se aprimoram e, por isso, deixam de ser bons facilitadores para o aprendizado de seus alunos por não saberem aplicar o ensino ao seu dia-a-dia. É claro que uma Escola Dominical assim terá pouca motivação para crescer.

4) A própria visão ministerial de algumas igrejas, que não dão à Escola Dominical a prioridade que lhe é de direito, mas tratam-na como se fosse um complemento de pouca importância no organograma dos propósitos de sua existência. Se a igreja pouco ou nada se importa, que mensagem passará aos membros?

5) O desinteresse da liderança, que não valoriza a Escola Dominical, não comparece e deixa de se pôr à frente, tal qual um líder, fazendo com que seus liderados desenvolvam também o mesmo comportamento. Ora, se à liderança não importa, por que devo eu importar-me?


6) A forma instável de a liderança da igreja lidar com processos, sem saber o que quer, por onde ir e aonde quer chegar. É o caso daquelas que “surfam” nas ondas que aparecem. Nem bem uma passou, já estão “pegando” outra. Com isso, não conseguem firmar o projeto da igreja numa direção sólida e consistente E a Escola Dominical acaba sofrendo os reflexos disso.


7) A ansiedade de alguns em serem o pai da mais recente novidade sem que pesem o valor intrínseco dela, sua viabilidade e aceitação, bem como se acarretará prejuízos ao rebanho. Com tal comportamento, a Escola Dominical, é claro, sempre será o último vagão do trem (se o for!), pois a prioridade é a mais nova descoberta que fez a igreja.


Isto explica, em parte, as razões pelas quais a Escola Dominical tem sido relegada ao segundo plano em diversos segmentos da Igreja, fazendo com que ela perca, para estes, não só a sua singularidade histórica, mas a sua relevância para a época presente. Explica, mas não justifica. Na verdade, o que precisamos é ter a dimensão exata do que a Escola Dominical representa para a Igreja, qual o seu papel nesta era pós-moderna e como atualizá-la para que se torne uma ferramenta amada e desejada pelos membros como indispensável para o seu crescimento espiritual. Recriá-la é a palavra-chave, pois não implica em fazer uma coisa nova, mas em dar a ela as condições necessárias para que se renove e tenha hoje a mesma relevância que teve no passado, desde quando foi iniciada por Robert Raikes. Na próxima postagem, veremos como recriar a dinâmica estratégica da Escola Biblica Dominical.

Relembrar, Refletir e Recriar a Escola Dominical (1)




Credito: ebdadolescentes.blogspot.com.br


Inicio uma série de postagens, já programadas, que compõem o texto de uma conferência que venho ministrando há alguns anos em diferentes congressos de Escola Dominical. Minha intenção, ao disponibilizá-la "in totum", é contribuir para que seja uma ferramenta aos que buscam aprimorar a EBD como a melhor estratégia de ensino a igreja.

Introdução

Pensar a Escola Dominical é de extrema importância para que se perceba a sua atualidade face aos projetos alternativos que, hoje, são oferecidos às igrejas como se fossem a descoberta da pólvora e aquela estivesse já ultrapassada. De uns tempos para cá, o que mais se destaca no ambiente evangélico, como método eficiente de evangelização, ensino e comunhão, são os chamados “pequenos grupos”, não importa o nome que tenham, enquanto a Escola Dominical é desprezada e até mesmo suprimida da estrutura da igreja.

Mas seria a Escola Dominical, de fato, um instrumento já arcaico? Estaria ela esgotada como modelo para o crescimento integral da Igreja? Estaria ela fadada a ser apenas um apêndice, e não parte vital do dia-a-dia da fé? Que falhas estariam sendo cometidas, produzindo essa visão distorcida a respeito, que colocam a Escola Dominical  no “museu” das tradições evangélicas? Se existem falhas, como corrigi-las? É através de perguntas como as que acabam de ser feitas, que poderemos chegar a uma boa conclusão acerca do tema que me foi proposto.


O que motivou a criação da Escola Dominical – relembrando os seus passos

Todos os que lidam com o ensino na Igreja conhecem as origens da Escola Dominical, lá atrás, com Robert Raikes. Como nossa intenção, aqui, não é histórica, quero apenas ressaltar o que o motivou a lançar mão deste projeto que se tornou o maior programa de ensino da Igreja através dos tempos. Seu alvo era alcançar as crianças marginalizadas e lhes oferecer ensino que, ao mesmo tempo, proporcionasse a elas uma boa formação e também as retirasse das ruas, onde acabariam sendo transformadas em perigosos bandidos.

Com o passar do tempo, algo que se iniciou de maneira espontânea e até sob certa oposição de segmentos da Igreja, tomou vulto e passou a ser parte da estratégia evangélica para alcançar todas as faixas etárias, inclusive os adultos, com a disseminação do ensino bíblico. Muitos pastores de nossas igrejas tiveram o seu alicerce bíblico nas classes de Escola Dominical que frequentaram desde quando eram crianças. Eles ainda hoje se lembram de suas professoras e de quanto elas foram importantes para o seu crescimento espiritual.

Hoje, à exceção de boa parte das igrejas neopentecostais e de algumas outras históricas que estão em busca de novas alternativas, a Escola Dominical é ferramenta indispensável para que os princípios imutáveis da Palavra de Deus sejam difundidos, alcancem todos os membros, contribuam para dar uma sólida formação espiritual, moral e social aos alunos e criem profundos alicerces doutrinários à prova de todo vento de doutrina. Ela já deu mostras de sua robustez, seus propósitos e resultados ao longo da história. A Escola Dominical não precisa provar nada. Ela, em si, já é um testemunho de sua importância.


A Escola Dominical sob ataque – uma reflexão sobre o seu “modus operandi”


Nos últimos anos, todavia, o ataque à Escola Dominical como ferramenta indispensável à Igreja tem aumentado gradativamente à medida que novos modelos surgem no meio evangélico, sobretudo aqueles que valorizam os chamados “grupos pequenos”.  Diz-se que a Escola Dominical é um modelo arcaico, esgotado, que não supre as necessidades do homem pós-moderno. Afirma-se que é preciso substituí-la por um programa mais eficiente e dinâmico, que preencha também outras áreas nas quais ela não estaria sendo eficaz. Argumenta-se que a Igreja precisa estar aberta ao novo e reciclar sempre a sua metodologia para continuar sendo vanguarda no mundo de hoje. Quanto a este último argumento, diga-se de antemão, é óbvio que não se pode desprezar o novo pelo simples fato de representar uma novidade, mas nem tudo o que é novo tem legitimidade ou representa, de fato, uma opção válida. É preciso ter senso crítico para discernir o bom do ruim.

No entanto, em que pesem essas afirmações, elas ocorrem não porque a Escola Dominical tenha perdido o seu potencial como agência de ensino da Igreja ou não seja mais adequada para atender as demandas da atual conjuntura. O que produz então esse tipo de rejeição, apesar de todos os avanços?  É o modo como se presume a Escola Dominical, a forma como é tratada na vida de muitas igrejas locais, a negligência em perceber o quanto ela é o melhor instrumento da Igreja para chegar-se aos membros e a falta de investimento maciço em sua estrutura. Veremos, na próxima postagem, alguns fatores de desestimulo para uma boa Escola Bíblica Dominical.



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