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domingo, 2 de dezembro de 2012

TOLERÂNCIA CRISTÃ




Por Paulo Pontes
O magnífico propósito de Deus pode ser resumido assim: "Redenção, adoção, perdão e selagem de um povo para ser sua propriedade" (1 Pe 2.9; 2 Co 1.22; Ef 4.30). Esse "povo selado" é chamado de "igreja" que significa "assembléia do povo". A Igreja é universal porque reúne fiéis de toda tribo, língua, povo e nação (Ap 5.9); é local por estar estabelecida ou plantada em determinadas regiões a fim de atender os membros e congregados de um bairro ou de uma cidade. A grandeza da Igreja vê-se no fato de que, por ela, Deus unifica os crentes em um só corpo em Cristo. Assim ela é também comparada a um corpo (Ef 4.1-16), um organismo vivo, complexo, com muitas funções, cada uma em seu próprio lugar operando harmonicamente, tendo como seu princípio básico o amor, e Cristo sua cabeça e força diretiva.
À semelhança de um corpo, a Igreja traz em sua organização a variedade de membros e as contradições próprias da multiplicidade de talentos, temperamentos, estilos, emoções e sentimentos, o que exige, para o seu adequado funcionamento, humildade e tolerância mútua e recíproca dos membros entre si, que considerando o propósito de Deus, percebam que aquilo que os une em um só corpo, é maior do que aquilo que pode os separar.
Os conflitos entre os membros do corpo de Cristo não são produtos do século 21. Os rompimentos de relações, discussões e outros tipos de atritos também atingiram a Igreja Primitiva, seus líderes e membros. O Novo Testamento registra muitos casos de desavenças, antagonismo e divergências que às vezes até ultrapassavam os limites do campo das idéias e pensamentos e deixaram suas marcas para a história:
- Em Mt 20.20,21, os filhos de Zebedeu queriam os melhores assentos no Reino.
- Em Mc 9.30-37, os discípulos discutiam quem seria o maior no Reino.
- Em Fp 4.2,3, duas mulheres, líderes e cooperadoras do apóstolo Paulo, Evódia e Síntique, eram tão dedicadas, tão operosas e tão incansáveis, se desentenderam e deixaram que seus dissentimentos importunassem o povo de Deus em Filipos a tal ponto que se tornaram uma ameaça à unidade daquela igreja.
- Em 1 Co 1.10-31, os milhares de cristãos em Corinto se reuniam em várias congregações, com seus respectivos dirigentes, mas ao contrário de cooperaram para a causa geral de Cristo na região, tornaram-se rivais e competiam umas com as outras congregações. Além de formarem grupos em torno de uma ou outra doutrina, arregimentavam-se como partidários ao redor de um ou outro líder. Essa intolerância dividiu a igreja de Corinto em muitas facções, cada qual se dizendo melhor que a outra, procurando monopolizar Cristo e seu evangelho. Ainda hoje tem acontecido assim, mas a Igreja de Cristo é tão grandiosa e o propósito de Deus é tão magnífico que não comporta a exclusividade qualquer grupo ou partidários.
A vaidade, o orgulho e a soberba são grandes muralhas que separam os irmãos e de igual modo a luta pela fama e a sede pelo poder, enquanto que o amor de Deus derramado no coração pelo Espírito Santo (Rm 5.5) conduz os membros do corpo de Cristo àquela comunhão descrita no Salmo 133, numa conotação fundamental de partilhar alguma coisa com alguém, conforme pode servisto na história da Igreja Primitiva em At 2.42,44,46 e 4.32. Tolerar os fracos na fé recebê-los ao invés de rejeitá-los, evitar contender com eles, não julgar os outros, não servir de escândalo, ser paciente, seguir o exemplo de Cristo e não procurar agradar a si mesmo, entre outros são preceitos que não podem ser esquecidos (Jo 13.14,15,34; Rm 14.1,3, 13,15,19,20; 15.1-7; 1 Co 9.19;22; Gl 6.1,2,9,10; 1 Ts 5.14,15).
A intolerância pode surgir a partir de uma crise, seja qual for o tipo. A pessoa em crise tem a tendência de ser dominada pela íra e passa a ser agressiva, e direciona essa agressividade às pessoas mais próximas, gerando conflitos que muitas vezes parecem não ter solução. Uma grande parte dos conflitos, tanto na igreja, quanto na vida pessoal, pode ser solucionado mediante arrependimento, confissão, perdão, humildade, graça e misericórdia.
 A tolerância é qualidade daquela pessoa que admite e respeita as opiniões contrárias, que desculpa, que é indulgente, benigno. Se perdoar não é fácil, assim como pedir perdão também não é, conviver com aquela pessoa que causou males e decepções, é ainda pior. Na parábola do trigo e do joio em Mt 13.24-30,36-43, também aprendemos lições de tolerância. O joio cresce nas plantações de trigo e até se parece com o trigo, a única diferença visível é que não frutifica. O Senhor explicou a tolerância do dono das terras quando revelou que arrancar o joio precocemente pode causar dano ao trigal, pois suas raízes se entrelaçam. O joio, apesar do seu princípio tóxico, pode crescer junto com o trigo, porém jamais será usado como o trigo. Existem pessoas nas igrejas que se parecem com os crentes fiéis, crescem juntos, assumem posições às vezes até no ministério quando não são percebidas, por que se assemelham externamente com os crentes verdadeiros, mas serão identificadas na hora da colheita, tendo cada uma o seu destino.
O crente verdadeiro não deve usar a força ou métodos mundanos para resolver seus conflitos (Zc 4.6), pois esta atitude pode causar danos à sua vida e à obra de Deus, mas deve orar pelos que estão na igreja e não dão testemunho de autênticos cristãos, entendendo que satanás está constantemente infiltrando indivíduos subversivos em todas as áreas da obra de Deus procurando impedir ou atrapalhar o seu progresso.
 (Artigo publicado na Revista Comunhão , Edição nº 77, Fevereiro de 2004)
Fonte: http://searanews.com.br/tolerancia-crista/

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