BEM VINDO A TODOS!

sábado, 27 de setembro de 2014

O PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL E O ESTUDO (1ª PARTE)



Por Pr. Marcos Tuler

Introdução 
O que é estudar? Seria apenas reler ou refazer o conteúdo de um livro ou explanação de um professor? Claro que não é tão simples assim! A maioria dos autores concorda que estudar consiste no processo de concentrar toda atenção em um fato, assunto ou objeto, com o fim de apreender-lhe a essência, funcionalidade, utilização, relações de causa e consequências. Estudar, de fato, exige certas aptidões intelectuais, tais como aprender a ver, ouvir, redigir, ler, memorizar e raciocinar. E, acima de tudo, estudar envolve prazer em aprender, conhecer. Isso depreendemos da própria origem etmológica da palavra estudo (studium), que indica ardor, zelo e aplicação. O termo estudante remete àquele que se aplica em algo, portanto, não faz apenas porque alguém mandou, mas possui um ardor próprio. Assim também pensava Comênios 

“A escola, portanto, erra na educação das crianças quando elas são obrigadas a estudar a contragosto, [...] é imprescindível despertar nas crianças o amor pelo saber e pelo aprender [...]. Nas crianças, o amor pelo estudo deve ser suscitado e avivado pelos pais, pelos professores, pela escola, pelas próprias coisas, pelo método, pelas autoridades”. 

O problema é que os professores concentram a maior parte do tempo no conteúdo, acreditando que as habilidades cognitivas serão algo decorrente. Mas de acordo com Crawford W. Lindsey Jr, “se ensinarmos habilidades cognitivas, o conteúdo emergirá como um efeito colateral desejável e necessário”. Aí se sentirá o tal desejo de aprender.

I. Objetivo do estudo 

De modo geral podemos dizer que o estudo visa levar o indivíduo a alcançar a compreensão, obter informes ou conseguir eficiência em uma habilidade, referente a um fato. Pode-se dizer, também, que o estudo é uma atividade mental provocada por uma situação problemática, de natureza variada, que o indivíduo se propõe a resolver, superar ou dominar. 

Por que estudar? Devemos estudar simplesmente porque não há outro processo mais fácil e eficiente para se chegar ao saber. Todo aprendizado requer esforço e perseverança por parte do estudante. O estudo não precisa ser feito prioritariamente por meio de livros, isto é mediante a leitura de textos, às vezes, basta o estudante valer-se do diálogo ou conversação com um bom mestre. Assim se fazia nos tempos em que não existia a imprensa e em que a posse de manuscritos era um privilégio reservado a poucos. 

Portanto, o que caracteriza o estudo não é um grande esforço mental ou concentração atentiva na captação dos materiais a ser aprendido, mas a aptidão para vencer as dificuldades de compreensão, de um modo perseverante e sistemático, seja qual for o modo de consegui-lo. 

II. Condições para o estudo 

Reiterando, estudar não é apenas ler trechos de um bom livro, copiar artigos da internet, ou compendiar conhecimentos prontos. Estudar requer muita concentração, tempo, ambiente apropriado, força de vontade e abnegação. Para que o professor de Escola Dominical estude com boas possibilidades de sucesso é preciso que algumas condições sejam atendidas, satisfatoriamente. Essas condições podem ser classificadas em extrínsecas e intrínsecas. Vejamos:

1. Condições extrínsecas

As condições extrínsecas de estudos são aquelas que não se relacionam com a pessoa de quem estuda. Referem-se àquelas circunstâncias materiais e de ambiente, quais sejam: local, conforto, material de estudo, ordem, interrupções, períodos de estudo e horas de estudo.

a) Local 

É importante que se estabeleça um local de estudo isolado do burburinho da rua ou da própria casa. É aconselhável que o local de estudo não seja utilizado para outros fins, tendo em vista estabelecer condicionamento propício às atitudes de estudo. Assim, o local de estudo não se deve prestar para outras práticas que não sejam com as relacionadas com o estudo. O local deve ser suficientemente iluminado, devendo vir à luz, tanto natural como artificial, da esquerda para a direita, com relação à posição do estudante. Sempre que possível, dar preferência a luz natural. É conveniente afastar da vista do estudante, coisas que lhe posam desviar a atenção, como fotos, revistas, televisão e mesmo evitar a permanência no local, de pessoas que, entretidas em outras atividades, possam roubar a atenção de quem deseja estudar. Não há dúvida, no entanto, que, segundo certas circunstâncias, música suave pode até ser estimulante para os estudos. 

b) Conforto 
O local de estudos requer condições mínimas de conforto e higiene, como cadeira e mesa de trabalho adequados, luminosidade e temperatura satisfatórias. Estes elementos, quando corretos, contribuem para diminuir a fadiga e aumentar a concentração mental. É conveniente que o estudante, quando sentado, conserve a coluna vertebral ereta e assuma uma postura física que permita o relaxamento dos músculos. Posição física incorreta pode, em pouco tempo, determinar cansaço muscular, acarretando, fatalmente, queda no rendimento intelectual. É claro que outros prejuízos físicos podem advir da má postura na cadeira. A iluminação, também, pode acarretar, quando inadequada, fadiga mental, além de outros prejuízos para a própria vista. 

Objetivo do estudo 

Todo estudo requer um mínimo de material informativo que permita esclarecimentos e aprofundamentos referentes aos temas estudados. Assim, claro é que, para estudar, é necessário que haja ao alcance das mãos, enciclopédias, dicionários de língua portuguesa e bíblico, atlas geográfico bíblico, concordâncias; manuais bíblicos... e compêndios, além dos elementos específicos em instrumentos ou livros, referentes ao tema que esteja sendo estudado. 

d) Ordem. 

Todomaterial de estudo deve estar separado e selecionado quanto ao tipo de informes que possa oferecer. Devem ser providenciadas fichas e pastas referentes a temas em geral e especificamente para cada tema, que contenham indicações bibliográficas, anotações, indicações de fontes de estudos, resumos e todo tipo de notas, a fim de não sobrecarregar a memória. 

Importante é que o material de estudo, seja de que natureza for, volte para seus respectivos lugares, a fim de ser evitada aquela perda de tempo com enervantes buscas à mínima consulta a ser feita ou à mínima necessidade de uso de instrumentos a ser levada a efeito. 

Importante, também, anotar as dúvidas, conceitos, comentários ou informações, logo que forem surgindo, não deixando para depois, quando poderá ser tarde, devido a possíveis falhas de memória. Quando estiver lendo e encontrar uma palavra que não conheça, sublinhe imediatamente e consulte o dicionário assim que puder. 

e) Interrupções. 

É aconselhável interromper o estudo aos primeiros sintomas de cansaço, com descanso de alguns minutos, pondo o corpo em movimento, respirando fundo ou relaxando os músculos, voltando, a seguir, ao trabalho. De pouco adianta teimar a continuar estudando, sentindo cansaço, porque haverá maior dispêndio de energia, com mínimo ou nenhum rendimento. 

É aconselhável, também, segundo condições pessoais, realizar interrupções nos trabalhos de estudo, de trinta em trinta minutos ou de hora em hora, para evitar que a fadiga maior se manifeste. Parece que é ideal a pausa de uns dez minutos, após um período de quarenta e cinco ou cinqüenta minutos de estudo. 




Marcos Tuler é pastor, pedagogo, escritor, conferencista e Reitor da FAECAD (Faculdade de Ciência e Tecnologia da CGADB)

Contatos
marcos.tuler@cpad.com.br
www.marcostuler.com.br
www.prmarcostuler.blogspot.com.br 


Nenhum comentário: